6 chaves para liderar profissionais em trabalho remoto


Se você faz parte do time estratégico da sua empresa, seja na condição de dono ou diretor, já está familiarizado com a condução de trabalho remoto, seja parcialmente ou integralmente. O trabalho, muitas vezes full time, acaba exigindo um grau de envolvimento  “onipresente”: é preciso estar em diferentes lugares no dia e, ainda assim, deliberar sobre o que acontece no escritório.

Se você é da equipe tática, gerente ou coordenador, provavelmente também tenha algum grau de flexibilidade de horário e local, o que acaba sendo compatível com o que se usa chamar trabalho híbrido.

Agora, se você faz parte do time operacional, possivelmente está junto a maioria que tem uma rotina rígida imposta pelo trabalho presencial; ou à minoria, cada vez mais  invejada, que trabalha de onde quiser no formato remoto.


Há dois anos trabalho liderando times remotos no Brasil e na Europa. A vivência com esses profissionais e a forma de gerenciá-los me trouxe alguns aprendizados que compartilho a seguir.

1. Trabalho remoto não é sobre lugar é sobre pessoas e resultado.

É preciso treinar e desenvolver as pessoas com processos claros, que garantam execução e entregas, mas também dêem espaço para o profissional executar com tranquilidade suas atividades, sem aquela sensação de estar sendo controlado o tempo todo.

2. Liderar é muito mais do que estar presente fisicamente, é sobre comprometimento e empatia.

Para isso, é importante realizar reuniões on-line periódicas, não apenas para deliberar sobre as atividades, mas também para ouvir os desafios que o profissional enfrenta na realização do trabalho remoto e também sobre alguma dificuldade pessoal que possa estar impedindo-o de desempenhar melhor sua função. Saber ouvir é tão ou mais importante do que falar.

3. Gestão não é sobre regras é sobre desenvolver o valor individual, o senso de responsabilidade e de pertencimento das pessoas.

É estratégico criar momentos e ações online com todo o time, de modo a desenvolver a amizade, compartilhar experiências e gerar conexão.

4. Trabalho remoto não é tão bom como parece nem tão ruim quanto se imagina.

Se a relação profissional-empresa não é boa presencialmente, só ganhará amplitude na versão remota. Mas, se o comprometimento for real, ele estará presente perto ou longe.

5. A sua preocupação com a distração e o foco do seu liderado em um ambiente longe dos seus olhos diz mais sobre a sua necessidade de controle do que sobre a conduta dele.

Há profissionais extremamente desengajados no ambiente presencial, assim como no remoto.

A diferença não é o ambiente. É o compromisso e o senso de responsabilidade.
Se o profissional tiver, ainda que por vezes, o foco comprometido, a liderança empática detectará e poderá agir para restaurar o rumo. Assim como o senso de responsabilidade do profissional e a disciplina dele o trará de volta para cumprir metas e prazos.

6. Trabalho remoto não é sobre lugar. Tudo passa por gestão e liderança de pessoas.

Desenvolver skills para lidar com gente é vital para qualquer um que deseje liderar. Assim como, quem deseja aprofundar-se no trabalho remoto como opção de carreira, não pode abrir mão de desenvolver disciplina e resiliência.

E a cultura da empresa, como fica?


Se a cultura da sua empresa serve apenas para condutas presenciais, é bom repensar os valores que a norteiam. Tanto melhor será sua cultura se o código de conduta dela for reconhecido em qualquer parte onde seu funcionário estiver. Falamos, então, de valores universais como justiça, responsabilidade, respeito ao próximo, integridade, lealdade, entre outros.

Talvez, o que você esteja chamando de cultura sejam ‘apenas’ rituais, que tem lá seu valor, claro, (motivação, energização do time…) mas que se sustentam somente no ambiente interno.

A cultura da empresa, vai além. É o conjunto de valores onde: ou o indivíduo o pratica para a vida, ou estará apenas cumprindo tabela, fazendo para ser aceito no ambiente. E aí, não importa se perto ou longe, a não legitimidade vai aparecer, mais dia menos dia.

Tudo isso, para dizer que o trabalho remoto eficaz é aquele em que o foco são as pessoas e como elas são lideradas e se autogerenciam. Se você não for capaz desse olhar, dificilmente será bem sucedido como líder ou liderado no trabalho, presencial ou remotamente.

Nenhum modelo de trabalho é perfeito. Todos carecem de empenho e alinhamento com o segmento e com os objetivos a atingir.

Mas, uma coisa que aprendi nesses anos liderando times à distância é: o trabalho remoto inicia no processo seletivo, não na execução.

Profissional sênior tende a valorizar ainda mais o bem-estar e a gestão de seu tempo. Até porque não há mais muito tempo a gastar com o que não é prioridade. Ao mesmo tempo em que a geração que chega ao mercado também está cada vez mais disposta a unir qualidade de vida e crescimento profissional.

Então, se o mundo é global o nosso olhar enquanto profissional precisa ser multifocal.

Débora de Medeiros – Comunicóloga e jornalista

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